SATISFAÇÃO COM FREQUÊNCIA SEXUAL
ABORDAGEM INICIAL SOBRE SEXUALIDADE PARA MULHERES ATENDIDAS NA ATENÇÃO PRIMÁRIA
DOI:
https://doi.org/10.35919/rbsh.v37.1340Palavras-chave:
Saúde Sexual, Saúde Reprodutiva, Atenção Primária à Saúde, SexualidadeResumo
OBJETIVO: O objetivo deste estudo foi descrever a percepção da satisfação sexual de mulheres em relação à frequência das relações sexuais. MÉTODOS: Trata-se de um estudo transversal realizado em quatro unidades de atenção primária de Ribeirão Preto (SP), entre janeiro de 2022 e fevereiro de 2023, com entrevistas presenciais e aplicação do questionário “U on Sex”. RESULTADOS: Foram incluídas 388 mulheres (32,4±9,7 anos). A maioria se declarou branca (53,6%), com parceria estável (54,6%), com mais de 10 anos de escolaridade (75,7%), trabalho remunerado (62,8%) e estar satisfeita com a sua frequência sexual (76,5%). Foi observada maior satisfação com a frequência sexual entre as que já fizeram uso de substâncias psicoativas (p<0,01), sem comorbidades (p=0,04) ou bissexuais (p=0,03). Em contrapartida, a insatisfação se associou a relações sexuais sem desejo (p=0,02) ou relação extraconjugal da parceria (p=0,02). Maior frequência de relações, maior taxa de orgasmo e maior iniciativa para o ato sexual estiveram significativamente associadas à satisfação com a frequência sexual (p<0,05). CONCLUSÃO: A satisfação sexual associou-se ao uso prévio de substâncias, ausência de comorbidades e orientação bissexual. A pergunta “Você está satisfeita com a sua frequência sexual?” mostrou-se uma estratégia simples e útil para abordar a sexualidade na atenção primária.
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