FISIOTERAPIA NO CUIDADO À MULHER TRANS
REFLEXÕES PARA A PRÁTICA CLÍNICA A PARTIR DE UM RELATO DE CASO
DOI:
https://doi.org/10.35919/rbsh.v37.1372Palavras-chave:
Mulher Transgênero, Fisioterapia, Cirurgia de Afirmação de Gênero, Disforia de Gênero, Relato de CasoResumo
Compreender a diversidade de experiências relacionadas à sexualidade envolve reconhecer múltiplas identidades de gênero que desempenham papel central na vivência da sexualidade. Este artigo descreve o caso de uma mulher trans submetida à cirurgia de afirmação de gênero, enfatizando suas percepções e discutindo o papel da fisioterapia em sua recuperação. O acompanhamento ocorreu em um hospital público do interior de São Paulo. A técnica utilizada foi penectomia, orquiectomia bilateral e construção da neovagina por inversão peniana. Necrose tecidual e estenose vaginal foram complicações que demandaram reabordagens cirúrgicas. A fisioterapia aconteceu durante nove meses e as condutas se basearam em drenagem linfática da neovulva, dilatadores vaginais, massagem e exercícios para os músculos do assoalho pélvico, e orientações para vida diária. Ao término do acompanhamento, realizou-se entrevista semiestruturada que identificou a disforia de gênero como principal motivo para a cirurgia e que, apesar das complicações, a satisfação com o resultado foi alcançada. Esse caso permitiu à equipe de fisioterapeutas conhecer e compreender sentimentos, emoções e significados que o processo cirúrgico promoveu para esta mulher. Percebeu-se, ainda, a necessidade de alinhamento das expectativas entre profissionais e a pessoa em tratamento, e o quanto é essencial uma comunicação inclusiva e centrada na pessoa.
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